segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ricos perdem exclusividade e reclamam da classe emergente

Segundo Renato Meirelles, do Data Popular, serviços mais caros e enriquecimento das classes C e D geram desconforto entre os endinheirados

Na última semana, o lançamento do iPhone 5C levantou uma polêmica entre usuários nas redes sociais. Com a Apple dedicando esforços à popularização de seus produtos, houve quem reclamasse que os smartphones da marca, antes restritos a uma minoria privilegiada, virariam “coisa de pobre”.
O aparelho não tem nada de "pobre" – as versões desbloqueadas do aparelho custarão no mínimo US$ 549 (cerca de R$ 1,3 mil), um preço suficientemente impeditivo frente aos principais concorrentes. No entanto, o movimento nas redes fez lembrar o lançamento do Instagram para Android, quando um coro de usuários dizia temer pelas fotos que “infestariam” a rede.
A questão não é a qualidade do produto ou do serviço, mas o status que o uso dessas ferramentas agrega. O fato é que as classes mais altas andam muito incomodadas com o enriquecimento dos chamados emergentes, principalmente porque sentem o peso da perda da “exclusividade”.
Essa é uma das percepções de Renato Meirelles, presidente do Data Popular, consultoria de pesquisas especializada nas classes emergentes. “Não tenho dúvidas que é a perda da exclusividade que está incomodando esses consumidores”, afirma.
Entre 2010 e 2011, segundo dados da pesquisa O Observador , a renda média disponível para as classes C e D aumentou 50%. A renda dos mais pobres cresceu três vezes mais que a renda dos mais ricos nos últimos dez anos. Naturalmente, a maior parte do que era acessível apenas a alguns privilegiados já está ao alcance dos emergentes. “Hoje é comum, por exemplo, empregada e patroa usarem o mesmo perfume. O exclusivo está cada vez mais democrático”, explica.
Para completar, esse crescimento desproporcional da renda coloca os mais ricos em situação ainda mais desfavorável: diante da inflação de serviços, o dinheiro da classes A e B já não comporta grandes gastos. “Agora para o mais rico adquirir o produto ou serviço ‘exclusivo’, vai precisar desembolsar um dinheiro que não tem”, diz Meirelles. “Os mais ricos têm a sensação de que saíram perdendo.”
Erro de avaliação
Na última semana, no C4 (Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor), a consultoria de pesquisas Data Popular exibiu um vídeo em que apresentava entrevistas de cidadãos comuns – de classes A e B – falando sobre o “incômodo” que a popularização dos serviços provocava no seu dia a dia. ”Incomoda ver como as pessoas entram nos aviões carregando coisas absurdas”, diz uma senhora. “Empresas como a CVC acabaram como a nossa boa vida. Viajar de avião não é mais classe A”, afirmou outro rapaz.
Esse grupo, no entanto, muitas vezes ignora que boa parte desses emergentes de fato já são mais ricos que eles. Meirelles destaca que 44% das pessoas que compõe as classes A e B são os primeiros ricos da família.
“São pessoas com histórico de classe C, com jeito de pensar de classe C, mas que têm renda muitas vezes até maior que o 'rico' que reclama”, diz.“Um dono de padaria ou mercadinho de bairro, por exemplo, fatura R$ 100 mil por mês. O engenheiro ou advogado quase nunca tira tudo isso.”
É no histórico que mora a principal diferença. Enquanto no passado o novo rico costumava esconder sua origem, hoje ele se orgulha de sua trajetória e já não tem mais as classes A e B como referência inconteste.
“Quem acha que a aspiração da classe C é ser classe A está enganado”, afirma Meirelles ressaltando que a lógica social das duas classes são inversas. “Enquanto a classe C trabalha na lógica da inclusão, a elite trabalha na lógica exclusividade. Os mais ricos esperavam que esse novo público os tivesse como exemplo de comportamento, mas isso não aconteceu.”
Do aspiracional para o inspiracional
Há um processo de acomodação em curso. Segundo os prognósticos do Data Popular, na próxima década, as classe A e B vão crescer duas vezes mais que a classe C. Com isso, empresas de todo o País estão em busca de novos modelos de operação, de forma a atender eficientemente os novos clientes.
Nesse novo contexto, as aspirações perdem espaço para as inspirações.
“O indivíduo deixa de usar o consumo para mostrar algo que não é, preferindo ferramentas que o façam uma pessoa melhor”, afirma. Mesmo que já estejam significativamente mais próximas dessa nova realidade, as empresas ainda não entenderam completamente quem é esse novo rico – e seus principais comportamentos de consumo.
Para Meirelles, o perfil do novo rico brasileiro está mais alinhado com o que se vê nos Estados Unidos – onde a pauta central é do consumo e da cultura do espetáculo. Esse formato é oposto ao modelo europeu, por exemplo, que valoriza o capital cultural, social e acadêmico.
Por aqui, Meirelles aposta na terceira via.
“Temos esse traço na nossa cultura, de aproveitar todas as experiências e mostrar um caminho com a nossa cara”, diz. “Vejo dois componentes a mais no nosso contexto: a flexibilidade do brasileiro e a vontade de reduzir os pontos de conflito.”

domingo, 15 de setembro de 2013

Modo de Produção Asiático

O chamado modo de produção asiático, que teria início em 2500 a.C., na Idade Antiga (antiguidade), caracteriza os primeiros Estados surgidos na Ásia Oriental, Índia, China e Egito. A agricultura, base da economia desses Estados, era praticada por comunidades de camponeses presos à terra, que não podiam abandonar seu local de trabalho e viviam submetidos a um regime de trabalho compulsório. Na verdade, esses camponeses (ou aldeões) tinham acesso à coletividade das terras de sua comunidade, ou seja, pelo fato de pertencerem a tal comunidade, eles tinham o direito e o dever de cultivar as terras desta.
Em todas as comunidades deviam tributos e serviços ao Estado ao qual estavam submetidas, representado pelas figuras do imperador, rei ou faraó que se apropriavam do excedente agrícola (produção que supera o consumo imediato), distribuindo-o entre a nobreza, formada por sacerdotes e guerreiros. Lembrando que este "excedente" era, freqüentemente, extorquido mais pelas necessidades da "nobreza" do que por realmente ser um excedente propriamente dito nas comunidades.

Esse Estado todo-poderoso, onde os reis ou imperadores eram considerados verdadeiros deuses, intervinha diretamente no controle da produção. Nos períodos entre as xafariz, era comum o deslocamento de grandes levas de trabalhadores (servos e escravos) para a construção de imensas obras públicas, principalmente canais de irrigação e monumentos.

Esse tipo de poder, também denominado despotismo oriental, marcado pela formação de grandes comunidades agrícolas e pela apropriação dos excedentes de produção, caracteriza a passagem das sociedades sem classes das primitivas comunidades da pré-história (modo de produção primitivo) para as sociedades de classes. Nestas, predominam a servidão entre explorados e exploradores, embora a propriedade privada ainda fosse pouco difundida.

Guardadas as particularidades históricas, pode-se afirmar que os primeiros Estados surgidos no Oriente Próximo (egípcios, babilônios, assírios, fenícios, hebreus, persas) também na América pré-colombiana nas sociedades incas e maias desenvolveram esse tipo de sociedade. Essas sociedades também podem ser consideradas sociedades hidráulicas, pois também dominaram técnicas de drenagem e utilização da força de rios para agricultura.

Por fim, a servidão coletiva era o modo de pagamento para o rei ou faraó pela utilização de suas terras. Outro aspecto que marca o modo de produção "asiático" é a diferenciação social, onde sacerdotes, servos e reis possuem funções sociais diferentes.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Comunismo primitivo

A forma de sociedade do comunismo primitivo existiu durante muitos milênios, na vida de todos os povos da humanidade, tendo sido a mais primitiva etapa de evolução da sociedade.
Foi nesse mesmo período que se iniciou o desenvolvimento da sociedade.
Nessa época, os seres humanos viviam em estado de selvageria. Alimentavam-se de vegetais que encontravam por acaso: legumes, frutas silvestres, raízes etc.

A descoberta do fogo foi de extraordinária importância, pois que permitiu ampliar as fontes de alimentação.
Os primeiros instrumentos utilizados pelos seres humanos foram o machado e as pedras toscas sem polimento.
O emprego da lança com ponta de pedra e, logo depois, a do arco e flecha, permitiu-lhes procurarem novos alimentos, entre eles a carne dos animais.
Paralelamente à procura de alimentos vegetais e à pesca, a caça tornou-se um novo meio de subsistência.
Mais tarde, ocorreu um avanço considerável através da introdução de instrumentos de pedra lascada que permitiram trabalhar a madeira, visando à construção de habitações.
Apesar de o processo de desenvolvimento que elevou, através de milênios, a humanidade de sua existência semi-animal ao nível de seres humanos capazes de construir tecnicamente habitações e fabricar instrumentos de pedra tivesse sido demasiadamente importante, permaneceram os seres humanos sendo extremamente débeis na luta de sobrevivência em face das forças da natureza, o que se expressava, principalmente, no nomadismo, decorrente da precariedade das fontes de alimentação.
Sujeitados ao acaso, não havia nenhuma segurança de encontrarem sempre caça e produtos vegetais.
Ainda era impossível pensar em armazenar reservas.
Os alimentos eram procurados diariamente, não se fazendo nenhuma provisão para os dias futuros.
Em tais condições, as populações não se aglomeravam. Dispersavam-se, visto que o alimento, passível de ser adquirido em um certo território, era insuficiente para sustentar contingentes humanos mais densos.

Posteriormente, os seres humanos passaram a viver em tribos, compostas por clãs. Estas, por sua vez, compreendiam centenas de pessoas, englobando grandes famílias entre si aparentadas.
Não havia propriedade privada dos meios de produção e de distribuição.
A vida econômica do clã ainda era dirigida por todos em comum, coletivamente.
Tanto a caça quanto a pesca, tanto a preparação quanto o consumo de alimentos, tudo se fazia em comum.
Em seu livro intitulado “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Em Conexão com as Pesquisas de Lewis H. Morgan”, Friedrich Engels relata o exemplo dos povos das ilhas do Pacífico, entre os quais 700 pessoas e, certas vezes, tribos inteiras, abrigavam-se sob o mesmo teto, no quadro de uma economia comum.

O comunismo primitivo foi necessário para a sociedade humana, naquela etapa de desenvolvimento.
Em uma vida privada, isolada, dispersiva, teriam sido impossíveis a invenção e o aperfeiçoamento das armas e dos instrumentos primitivos.
Graças somente à vida coletiva, os seres humanos primitivos puderam obter suas primeiras conquistas, em sua luta de sobrevivência em face da natureza.
A união no clã comunista constituiu, nessa época, a sua principal força.

Na sociedade comunista primitiva não existia – e nem poderia existir – a exploração do homem pelo homem.
O trabalho era dividido entre homens e mulheres.
No interior do clã comunista, conviviam membros mais fortes e membros mais fracos, sem que existisse a exploração de uns pelos outros.
Pois, é apenas possível existir exploração quando um ser humano pode produzir meios de existência não só para si mesmo, senão também para os outros. Unicamente, sob tais condições, um indivíduo pode viver à custa do trabalho dos outros.
Entre os seres humanos da sociedade comunista - obrigados a conseguir alimentos para o consumo pessoal de cada dia e incapazes de produzir mais do que o estritamente necessário – não podia haver lugar para a exploração do homem pelo homem.
Durante as guerras, na época do comunismo primitivo, os prisioneiros eram mortos – às vezes comidos vivos por meio de práticas antropofágicas – ou, então, admitidos como membros do clã vencedor.

O comunismo primitivo foi condicionado pelo nível de desenvolvimento das forças produtivas da sociedade de então.
Seria um erro imaginar que os seres humanos primitivos criaram esse regime conscientemente, pois que se formou e se desenvolveu de maneira natural, alheia à vontade e à consciência dos seres humanos primitivos.
Pois, na produção social de sua existência, os seres humanos estabelecem, entre si, relações determinadas, necessárias e independentes de suas vontades.
Essas relações de produção correspondem a um grau determinado de desenvolvimento das forças produtivas materiais.
É o que Karl Marx preleciona.

O posterior desenvolvimento das forças produtivas da sociedade primitiva – p.ex. o aperfeiçoamento dos instrumentos existentes e a invenção de outros novos, o aparecimento do pastoreio e da agricultura, o uso de metais -  provocou a mudança das relações de produção até então existentes.
O comunismo primitivo decompôs-se lentamente com o aparecimento de novas necessidades materiais que determinaram a sua substituição por uma sociedade fundada na propriedade privada dos meios de produção e de distribuição, dividida em classes sociais.

DECOMPOSIÇÃO DO COMUNISMO PRIMITIVO

O fator determinante da decomposição do comunismo primitivo foi a domesticação dos animais, a substituição da caça pela criação, o que aconteceu, em primeiro lugar, entre as tribos acampadas nos territórios mais ricos de pasto – principalmente nas regiões dos grandes rios da Ásia Central e da Mesopotâmia, i.e. às margens do Amu Dária, do Sir Dária, do Tigre e do Eufrates.
A criação foi para essas tribos fonte permanente de leite, carne, peles e lã.
As tribos pastoris possuíam dessa forma objetos de uso que faltavam às outras.
Dessa forma, a introdução da criação do gado assinalou a primeira divisão social do trabalho.
Antes dessa primeira etapa, a troca tinha, entre as diversas tribos, um caráter puramente acidental, não desempenhando papel algum na vida das tribos e dos clãs.
A divisão do trabalho entre as tribos pastoris e as outras inaugurou a troca regular entre elas.

Outro avanço no desenvolvimento das forças produtivas foi o aparecimento da agricultura – primeiro a horticultura e, a seguir, o cultivo dos cereais – que criou uma fonte permanente e estável de alimentos vegetais.

A invenção da tecelagem nessa época, permitiu que se confeccionassem tecidos e roupas de lã.

Os seres humanos aprenderam, então, a fundir os metais, o cobre, o zinco e o estanho - a utilização do ferro foi apenas descoberta mais tarde – bem como a fabricar instrumentos, armas e utensílios, a partir da liga que se formava do bronze.

PRIMEIRA DIVISÃO DA SOCIEDADE EM CLASSES

Como vimos pelos fatos expostos, aumentou em grande escala, ao decompor-se o comunismo primitivo, a produção do trabalho, crescendo também o domínio dos seres humanos sobre a natureza e sua segurança em face do futuro.
Essas novas forças produtivas sociais sobrepujaram os limitados quadros do comunismo primitivo.
Como nos esclarece Friedrich Engels, em decorrência do desenvolvimento de todos os ramos da produção – gado, agricultura, serviços manuais – a força do trabalho humano foi-se tornando capaz de criar mais produtos do que os necessários ao sustento de cada produtor.
O desejo de uma produtividade ainda maior levou a que aumentassem, ao mesmo tempo, a soma de trabalho quotidiano que correspondia a cada membro do gens ou do clã, bem como a cada comunidade doméstica ou família isolada.
A ambição estimulou a procura de novas forças de trabalho e as guerras tribais as forneceram.
Os prisioneiros de tais confrontações bélicas foram transformados em escravos.
Ao aumentar a riqueza, extendendo-se o campo da produção, a primeira grande divisão do trabalho determinaria necessariamente a escravidão, por força mesmo das condições históricas, como modo de fazer face a tal produção.
Da primeira divisão social do trabalho nasceu a primeira grande divisão da sociedade em duas classes: senhores e escravos, exploradores e explorados.

Ora, os escravos eram estranhos ao clã e não faziam parte dele.
O desenvolvimento das forças produtivas e o aparecimento da escravidão propiciaram também a introdução da desigualdade entre os membros do clã e, em primeiro lugar, entre o homem e a mulher.
Friedrich Engels assinalou, nesse contexto, que ganhar para comer foi sempre a ocupação do homem, sendo que os meios de produção e de distribuição, necessários para isso eram produzidos por ele e constituíam sua propriedade.
Os rebanhos constituíam seus novos meios de subsistência.
Sua domesticação e seu trato foram obra do homem. Por esse motivo, o gado lhe pertencia, assim como as mercadorias e os escravos que recebia em troca do gado.
Portanto, todo o lucro que, então, a produção produzia pertencia-lhe.
A mulher também desfrutava das utilidades, mas já não tinha nenhuma participação na sua propriedade.

Foi apenas mais tarde que surgiu também a desigualdade entre os chefes das diversas famílias.
O desenvolvimento da troca – conseqüência da crescente subdivisão do trabalho – contribuiu para essa situação.
O emprego do ferro aumentou a variedade dos instrumentos e utensílios.
A agricultura extendeu-se, igualmente, graças à introdução do arado com grades de metal.
Outras culturas vieram juntar-se àquela dos cereais que, então, já existia.

Como um mesmo indivíduo não podia mais realizar sozinho um trabalho tão variado, efetuou-se a segunda grande divisão social do trabalho. O trabalho manual – o artesanato – separou-se do trabalho da agricultura.
A diferença entre ricos e pobres surge paralelamente à diferença criada entre homens livres e escravos.
Da segunda grande divisão social do trabalho resultou uma nova cisão da sociedade em classes.
A desproporção entre os bens dos chefes de famílias individuais destruiu os antigos agrupamentos comunistas em todos os lugares onde se haviam mantido até então e, com eles, desaparece o trabalho em comum da terra, por conta das coletividades.
O solo próprio para o cultivo foi distribuído entre as famílias particulares, a princípio, em caráter provisório e, mais tarde, em caráter definitivo.
É o que nos ensina Friedrich Engels.

Realizou-se, assim, a transição da propriedade coletiva à propriedade privada dos meios de produção e de distribuição.
A crescente densidade da população, devida à produtividade do trabalho, acrescida ao fortalecimento dos laços entre as diferentes tribos, conduziu, pouco a pouco, à fusão de numerosos clãs e tribos, dando origem aos povos.

Por outro lado, a desagregação da comunidade primitiva, a crescente desigualdade entre os seus membros e, sobretudo, a aplicação generalizada do trabalho escravo, levaram à formação do Estado, organismo de manutenção e da opressão da classe explorada pela classe exploradora.
Sob a pressão das forças produtivas que o havia engendrado, o comunismo primitivo decompôs-se, sendo substituído por
uma nova sociedade, dividida em classes.

Os adversários do moderno socialismo e comunismo revolucionários afirmam que o comunismo primitivo jamais existiu.
Segundo alegam, a propriedade privada sobre os meios de produção e de distribuição, bem como a divisão da sociedade em classes, haveriam sempre existido, desde o princípio da vida social.
Esforçam-se por demonstrar que a propriedade privada é inseparável da própria natureza humana, não podendo existir outra espécie de propriedade.
Empenham-se por provar que a sociedade sempre esteve dividida em classes, sendo inconcebível uma sociedade sem classes sociais.
A burguesia e seus agentes intelectuais, em sua luta contra o socialismo e comunismo modernos, estão interessados em negar o comunismo primitivo.
Já em 1845, Marx e Engels demonstraram em sua obra, intitulada “A Ideologia Alemã”, que o comunismo primitivo foi a primeira forma de sociedade.
Trinta anos depois, em 1877, independentemente das investigações efetuadas por Marx e Engels, o sábio norte-americano Lewis Henry Morgan, em sua obra intitulada ”A Sociedade Antiga ou Investigações das Linhas do Progresso Humano desde a Selvageria através do Barbarismo até à Civilização” chegou à mesma conclusão, depois de estudar, detidamente, as tribos selvagens e semi-selvagens da América do Norte e das Ilhas do Pacífico.
Vestígios de comunismo primitivo subsistem ainda em nossos dias, entre certos povos, sob a forma de comunismo agrário: as comunidades rurais possuem terras em comum e distribuem os lotes, em caráter perpétuo, entre seus membros.
A existência do comunismo primitivo enquanto fase inicial do desenvolvimento de todos os povos da humanidade não pode ser posta em dúvida.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Anitta, embranquecimento e elitização

Seja pelo preconceito de classe ou pela intolerância diante de letras com conteúdo sexual explícito, as mulheres do funk são grandes vítimas da misoginia e do racismo. Esse grande repúdio contra as artistas femininas do funk é intimamente relacionado à repulsa às mulheres negras, não somente porque a maioria das funkeiras são negras, mas porque o funk tem raizes históricas e é intimamente ligado à cultura negra brasileira.

No entanto, há pelo menos um exemplo atual de mulher que veio do funk e é amplamente aceita e celebrada na mídia: a Anitta. Enquanto as outras artistas têm suas raízes no funk tradicional com letras explícitas, a Anitta é apresentada como uma funkeira voltada para a cultura pop, com uma produção higienizada e pronta para o consumo. Artistas como a Anitta são reposicionadas em uma nova classe social, que embranquece suas expressões artísticas e as torna muito mais “adequadas” para a televisão brasileira.
Há divergências sobre os motivos que levam a Anitta a ter mais sucesso que outras artistas similares. Alguns ativistas acreditam ser devido a uma suposta branquitude. No entanto, enxergar Anitta como uma pessoa branca demonstra a naturalização do processo de embranquecimento racial. Em uma sociedade que tem como branca qualquer pessoa miscigenada de pele clara, o caso de Anitta merece no mínimo uma reflexão.

É preciso entender que a identidade que Anitta ou outras artistas possuem sobre suas cores é algo subjetivo, construído ao longo dos anos sob influência da sociedade. Não adianta relativizar o reconhecimento racial e reduzi-lo a uma questão de afirmação, pois compreender-se como negra não é um fator decisivo para que alguém seja tratada como negra; para isso acontecer, é necessário que a sociedade também consiga ver a negritude nessa pessoa.

A Anitta é um exemplo de uma mulher miscigenada que foi embraquecida e “enriquecida” para que o seu trabalho artístico fosse valorizado. A aparência de Anitta vem se tornando cada vez mais diferente desde a sua fama, com tratamentos de clareamento sobre uma imagem cada vez mais elitizada. Sabendo disso, vale a reflexão: será que Anitta é aceita por ser reconhecida como uma mulher branca ou terá embranquecido em busca de aceitação? Se outras funkeiras passassem por um processo de embraquecimento e elitização classial, seriam elas abraçadas pelos programas da televisão aberta nos mais diversos horários?

Esse processo não diz respeito somente ao embranquecimento de características físicas, como cabelos lisos, pele clara e nariz fino, mas está também relacionado à repressão da sexualidade feminina. O funk bem aceito socialmente é aquele que constrói uma sensualidade feminina tolerável, que não intimida o machismo. E a sexualidade feminina que é aceita é aquela que não causa choques. A Valesca Popozuda é um bom exemplo: embora em sua aparência atual ela seja vista como uma mulher “morena clara”, ou em alguns casos até mesmo branca, o modo como lida com o sexo sem eufemismos faz com que sua expressão artística seja repudiada socialmente.

Artistas femininas sofrem uma imposição de limite sobre a sensualidade, que só pode ser expressada de modo comedido e elitizado: uma mulher que rebola na MTV é muito mais aceita artisticamente do que aquela que rebola em um baile funk no morro. É extremamente importante notar, no entanto, que nenhuma mulher é plenamente aceita ao expressar sua sexualidade. Ao final do dia, todas essas mulheres têm algo em comum: todas elas são transformadas em objetos de consumo.

Ser consumida, nesse caso, significa oferecer a sensação de controle ao público masculino. A mulher objeto de consumo deve expressar sensualidade, mas não ao ponto de fazer com o que o homem se sinta ameaçado, nem na eminência de ser “traído”. Caso a mulher expresse sua sexualidade de forma objetiva e direta, ela é tida como uma “vadia” indigna de valor e seriedade. A mulher negra, especificamente, carrega nos ombros o estereótipo de “mulher consumível” e descartável, para ser “usada” e jogada fora, ao contrário do produto mais cotado e duradouro: a mulher branca. Essa é a realidade da misoginia: as mulheres são tratadas como mercadorias, algumas mais valorizadas do que outras.

Embora a questão da branquitude de Anitta seja debatível perante nossos olhos, o problema é muito mais profundo e está entranhado em diversas nuances da sociedade. A questão não é atribuir uma identidade a Anitta ou outras artistas brasileiras, mas sim levantar o questionamento sobre a possibilidade de sucesso e a aceitação social dependerem de uma branquitude, seja ela real ou imposta. Uma pele clara e um cabelo liso combinados com uma sexualidade moderada e restrita são necessárias para o sucesso das mulheres.

Seja ao chamar mulheres negras de morenas ou ao aceitar o “branco” como padrão, o racismo articula com a violência imposta sobre as classes desfavorecidas e encontra seu apogeu quando atua de forma machista. É preciso trazer todas essas nuances para o debate e trabalhar para destruir essas violências. A forma como as opressões atuam não é sempre tão óbvia, tampouco tão simplista. São necessárias uma dialética e uma visão abrangente, não polarizada, para que possamos transformar nossa cultura e conquistar a dignidade que é usurpada de tantas mulheres.

Jarid Arraes é educadora sexual, feminista e escreve no Mulher Dialética e no Guia Erógeno.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O QUE DEVE SER UM JOVEM COMUNISTA – Ernesto “Che” Guevara

Quero colocar agora, companheiro, qual é a minha opinião, a visão de um dirigente nacional, sobre o que deve ser um jovem comunista.
Eu acho que a primeira coisa que deve caracterizar um jovem comunista é a honra que sente por ser jovem comunista. Esta honra que o leva a mostrar para todo o mundo sua condição de jovem comunista, que não se submete à clandestinidade, que não o reduz a fórmulas, mas que ele manifesta a cada momento, que lhe sai do espírito, que tem interesse em demonstrar porque é o seu símbolo de orgulho.

Junto com isso, um grande sentido do dever para com a sociedade que estamos construindo, com nossos semelhantes como seres humanos e com todos os homens do mundo.

Isso é algo que deve caracterizar o jovem comunista. Ao lado disso, uma grande sensibilidade para com todos os problemas, grande sensibilidade diante da injustiça; espírito inconformado sempre que surja algo ruim, seja quem for que o tenha dito. Colocar tudo o que não se compreender; discutir e pedir que deixem claro o que não estiver; declarar guerra ao formalismo. Estar sempre aberto para receber as novas experiências, para se ajustar à grande experiência da humanidade, que leva muitos anos avançando pela senda do socialismo, as condições concretas de nosso país, as realidades que existem em Cuba: e pensar – todos e cada um – como ir mudando a realidade, como torná-la melhor.

O jovem comunista deve propor-se a ser sempre o primeiro em tudo, lutar para ser o primeiro, e sentir-se incomodado quando em alguma coisa ocupa outro lugar. Lutar para melhorar, para ser o primeiro. Claro que nem todos podem ser o primeiro mas podem estar entre os primeiros, no grupo de vanguarda. Ser um exemplo vivo, ser o espelho onde se olhem seus companheiros que não pertençam às juventudes comunistas, ser o exemplo onde possam se olhar os homens e as mulheres de idade mais avançada que perderam certo entusiasmo juvenil, que perderam a fé na vida e que diante do estímulo do exemplo sempre reagem bem. Essa é outra tarefa dos jovens comunistas.

Junto com isso, um grande espírito de sacrifício, um espírito de sacrifício não somente para as jornadas heróicas, mas para todo o momento. Sacrificar-se para ajudar os companheiros nas pequenas tarefas, para que possa assim cumprir seu trabalho, para que possa cumprir com seu dever no colégio, no estudo, para que, de qualquer maneira, possa melhorar. Estar sempre atento a toda a massa humana que o rodeia.o que se coloca para um jovem comunista é ser essencialmente humano, ser tão humano que se aproxime do melhor dos humanos.

Purificar o melhor do homem através do trabalho, do estudo, da prática da solidariedade contínua com o povo e com todos os povos do mundo; desenvolver o máximo de sensibilidade, até o ponto de sentir-se angustiado quando em algum canto do mundo um homem é assassinado e até o ponto de sentir-se entusiasmado quando em algum canto do mundo se levanta uma nova bandeira de liberdade.” (Che Guevara)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O que é Empoderamento?

Empoderamento, ou empowerment, em inglês, significa em a ação coletiva desenvolvida pelos indivíduos quando participam de espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos direitos sociais. Essa consciência ultrapassa a tomada de iniciativa individual de conhecimento e superação de uma realidade em que se encontra.

O empoderamento possibilita a aquisição da emancipação individual e também da consciência coletiva necessária para a superação da dependência social e dominação política. O empoderamento devolve poder e dignidade a quem desejar o estatuto de cidadania, e principalmente a liberdade de decidir e controlar seu próprio destino com responsabilidade e respeito ao outro.

Relacionado com isso, está o empoderamento social é dar poder à uma comunidade, fazer com que tudo seja mais democrático , que a população em geral tenha poder, que a comunidade tenha também mais riqueza e capacidade. O empoderamento social deve ser entendido como um processo pelo qual podem acontecer transformações nas relações sociais, culturais, econômicas e de poder.

Outro tipo de empoderamento é o feminino, que é o empoderamento das mulheres, que traz uma nova concepção de poder, assumindo formas democráticas, construindo novos mecanismos de responsabilidades coletivas, de tomada de decisões e responsabilidades compartidas. O empoderamento feminino é também um desafio às relações patriarcais, em relação ao poder dominante do homem e a manutenção dos seus privilégios de gênero, é uma mudança na dominação tradicional dos homens sobre as mulheres, garantindo-lhes a autonomia no que se refere ao controle dos seus corpos, da sua sexualidade, do seu direito de ir e vir.

Um outro sentido para empoderamento é o seu termo em inglês, empowerment , ou delegação de autoridade, que é uma abordagem a projetos de trabalho que se baseia na delegação de poderes de decisão, autonomia e participação dos funcionários na administração das empresas.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Por que nossa política é tão burra?

Embora eu não concorde com o título do vídeo, me parece simplista e sensacionalista, o vídeo é excelente. De fácil entendimento. Pra ficar mais claro que isso, só desenhando. Esperaí...

terça-feira, 2 de julho de 2013

Manuela D´Ávila: Reformar a política

Diante da grande onda de manifestações populares, os partidos no Congresso Nacional devem se unir e apoiar a consulta popular sobre reforma política sugerida pela presidente Dilma Rousseff.Os parlamentares devem ouvir a população por meio de plebiscito. As perguntas devem girar em torno daquilo que é central: o financiamento das campanhas eleitorais e o sistema de voto.


Por Manuela D´Ávila* 

 
Esse processo deve ser deflagrado pelo Congresso, sendo feito o mais rapidamente possível. As manifestações de rua merecem respostas efetivas, e as pessoas não aceitarão uma solução pronta, sem debate prévio.

Então, devemos nos perguntar, após 25 anos da Constituição Cidadã, qual é o problema central da política representativa brasileira? Sem dúvida, o financiamento. O PCdoB sempre defendeu o financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais.

O dinheiro que financia as candidaturas numa disputa eleitoral deve ser público e exclusivo. A sociedade será a principal beneficiada com essa iniciativa, visto que haverá maior transparência nos pleitos. Primeiro, porque proporcionará maior igualdade de condições entre os candidatos, garantindo a escolha de quem está mais preparado. Isso reduz o abuso do poder econômico, situação que prejudica o processo como um todo nos municípios, nos estados e no país.

Quase diariamente a imprensa publica reportagens sobre casos desse tipo, o que reforça o descrédito de muitos em relação à política e diminui a credibilidade de nossas instituições. Mudar a forma de financiar campanhas, portanto, é a saída para reduzir a corrupção no Brasil. Diga-se de passagem, tema presente em muitas das manifestações populares atuais.

Se não dá para aprovar todas as medidas necessárias, então temos de enfrentar o mais importante: o financiamento público e exclusivo é a peça-chave para superar os desafios que ainda permanecem e melhorar a imagem da política e dos políticos nacionalmente.

Há bastante tempo, a bancada do PCdoB na Câmara faz um grande esforço para construir a reforma política. As pessoas vão às ruas questionar o sistema político porque ele possui, sim, falhas estruturais, e elas precisam ser superadas.

O plebiscito será o caminho para definirmos uma solução em conjunto com a população, que realmente reestruture a política brasileira. A consulta garantirá legitimidade ao processo. Vivemos um momento único. Não podemos perder a oportunidade de melhorar o Brasil.

*Líder do PCdoB na Câmara dos Deputados

Artigo publicado no jornal O Globo

Sociologia da Juventude


Existem, dentro da Sociologia, as mais diversas subdivisões: a Sociologia Criminal, a Sociologia do Esporte, a Sociologia da Religião e muitas outras. Cada uma delas se dedica a compreender os fatos sociais que estão relacionados com o assunto específico ao qual pertencem. A Sociologia do Esporte, por exemplo, vai tentar compreender as relações humanas que se estabelecem tendo o esporte como pano de fundo.
Nos anos 1950 surgiu então esse novo segmento social: a juventude. Estes novos atores sociais passaram a ocupar um papel de destaque na sociedade devido ao fato de serem agentes de transformação, isto é, que buscavam novas formas de participação e atuação na sociedade.
Nos anos 1960 então, estes jovens tomaram as ruas dos mais diversos países, pelos mais diferentes motivos, notadamente no Maio de 1968, na França. Diferente dos conflitos de classe de até então, eles travavam uma luta que não era marcada exclusivamente pelo combate de ideias da Guerra Fria: capitalismo x socialismo.
Então, logo também se fez necessária a compreensão da realidade social que está relacionada à essa faixa etária, surgindo assim a Sociologia da Juventude.
Nas décadas que se seguiram, anos 1970, 1980, 1990 e 2000, a juventude ainda jogou um papel bastante importante como agente de transformação social, mas só veio a se tornar protagonista novamente com as manifestações que vem tomando o mundo atualmente.
Impulsionada pelas novas tecnologias informacionais de comunicação, hoje a juventude resgata o poder de mobilização de outrora e novamente ocupa lugar de destaque nas mudanças que sacodem o mundo hoje.
Compreender a juventude como esse segmento social possuidor de grande poder de mobilização é a principal justificativa da necessidade da existência da chamada Sociologia da Juventude.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Protestos no Brasil - Tem gente que só acordou agora

Tudo começou por causa de 20 centavos. O Movimento Passe-Livre (MPL), um grupo apartidário (e não anti-partidário, visto que seus membros são filiados em partidos políticos, de esquerda, por sinal) surgiu em 2005 para lutar pelo fim da tarifa no transporte público. A lógica é simples, se é público tem que ser de graça. Ou alguém paga por escola pública? Ou por hospital público? Pois é.
Em janeiro desse ano, a presidenta Dilma, através de medida provisória, conseguiu uma redução de impostos para as empresas de transporte coletivo permitindo que as tarifas baixassem em até 7,23%. Além disso, foi feito um grande investimento, de quase 9 bilhões de reais, em mobilidade urbana (leia-se transporte público) por conta das obras da Copa do Mundo.
Ou seja, apesar dos esforços do governo federal para baratear o transporte público, muitas capitais tiveram reajuste nas tarifas, aumentando o preço das passagens. O pessoal do MPL, que não estava dormindo nem nada, deu início à protestos contra estes aumentos.
Tudo começou em março, em Porto Alegre. Na capital dos gaúchos, os estudantes foram às ruas e, apesar de taxados de baderneiros pela RBS, conseguiram que o aumento, de R$ 2,85 para R$ 3,05 não ocorresse.
Depois da vitória em Porto Alegre, o pessoal das outras capitais se empolgou e foi pra rua, dando início à essa grande onda de protestos que estão tomando nosso país.
Em São Paulo os movimentos tiveram maior destaque. Para evitar o aumento da tarifa em 20 centavos, a juventude foi para as ruas, mas foi violentamente reprimida pela polícia paulista (que diga-se de passagem é a mais violenta do mundo). Ordens do governador Geraldo Alckmin, que sempre tratou os movimentos sociais com truculência.
Depois de tanta violência policial e a não veiculação dessa violência pela Globo, mais gente foi se somando aos protestos. Na internet todo mundo viu os abusos da polícia. Não era mais só pelo 20 centavos. Era contra a violência policial. Era contra a manipulação da mídia.
O movimento foi vitorioso. No Rio e em São Paulo as tarifas tiveram seus preços reduzidos. Porém, graças a mais um movimento de manipulação da mídia os protestos acabaram por se tornarem despolitizados, sem bandeiras concretas, sem rumo. Protestar agora estava na moda. Inclusive, a Glória Khalil deu dicas de moda para se ir às manifestações o mais “cool” possível.
O chamado grupo Anonymous passa a fazer campanha na internet para tentar direcionar as mobilizações, mas estranhamente para uns caras que se dizem anarquistas, a sua proposta é idêntica às dos grupos de extrema-direita (nazistas, skinsheads, facistas de todo o tipo, etc.) O símbolo dos Anonymous, a máscara de Guy Fawkes, se faz cada vez mais presente nas manifestações, mas os manifestantes desconhecem o teor de crítica social dos quadrinhos “V de Vingança” do escritor inglês Alan Moore, declaradamente de esquerda. Usam um símbolo de rebeldia contra o sistema a favor do sistema. Ah, as contradições dos contraditórios são tão contraditórias...
É gente protestando contra a corrupção, querendo mais saúde e mais educação, mas desconhecendo as bandeiras de luta concretas como 10% do PIB para a educação, 10% do PIB para a saúde. Protestando contra os gastos com a Copa (sem saber que os investimentos federais são única e exclusivamente em obras para o país e não estádios). Contra a corrupção, mas desconhecem a Reforma Política. Contra a PEC 37 (porque a Globo e o Anonymous assim quis – será coincidência os dois defenderem as mesmas coisas) mas sem saber do que se tratava.
Os partidos políticos de esquerda (sabe aqueles das bandeiras vermelhas?) que estiveram nas manifestações desde o início começaram a ser hostilizados. Num frenesi anti-democrático e contra a liberdade de expressão, os “sem-partido” começaram a agredir qualquer um que portasse uma bandeira vermelha, fosse de partidos políticos ou até mesmo de centrais sindicais (quem não viu os nazi-fascistas rasgando a bandeira da Centra Única dos Trabalhadores – CUT em rede nacional?) Era tudo que a Globo e as elites mais queriam: o povo na rua protestando contra tudo e, ao mesmo tempo, pelo nada.
A turma do MPL se retirou dos protestos porque não concordava com o rumo fascista que as coisas estavam tomando. O vandalismo começou a crescer nas manifestações. Encapuzados passaram a quebrar, queimar, saquear.
Dentro das manifestações, alguns grupos mais conscientes mantinham o foco e continuavam a luta. Os estudantes, através de suas entidades (a UNE e a UBES) conseguiram que fosse aprovado os royalties do petróleo para a educação. Um aumento nos investimentos, que passaram de 25 para 280 bilhões, em 10 anos.
Quem nunca dormiu não parou e continua lutando. Agora, estudantes e professores querem os 10% do PIB para a educação. Até onde (ou quando) essas manifestações vão não se sabe. Mas é sabido que muita coisa se conseguiu nesses dias. E a luta contra a corrupção se tornou realmente concreta com a Reforma Política.
#vemprarua, mas com consciência, claro.