terça-feira, 8 de junho de 2010
O Operário em Construção - Vinícius de Moraes
| Era Ele que erguia casas Onde antes só havia chão. Como um pássaro sem asas Ele subia com as casas Que lhe brotavam da mão. Mas tudo desconhecia De sua grande missão: Não sabia, por exemplo Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão. | Cândido Portinari, Operário |
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer o tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, Cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que a sua marmita
Era o prato do patrão
Que a sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que o seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que a sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
-"Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
E o operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca da sua mão.
E o operário disse: Não!
- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! -disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem pelo chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
Se os tubarões fossem homens - Bertold Brecht
Bertold Brecht foi um dramaturgo alemão de elevada consciência política. Seus poemas sempre exporam a situação social do povo diante dos poderosos.
Quando crescer vou ser sociólogo
Entenda como trabalha o pesquisador que estuda a sociedade humana
Na colméia, cada abelha tem uma função. A rainha põe os ovos que irão gerar operárias e zangões. As operárias são comandadas pela rainha e constroem os favos do ninho, fazem sua limpeza e alimentam as larvas. Já os zangões vivem apenas o tempo de fecundar a rainha. Mas como sabemos disso tudo? Não foi uma abelha que contou! Essas informações são descobertas por pesquisadores que vivem observando a natureza. Graças à curiosidade deles é possível saber como diversos animais se organizam e se relacionam, o que comem, qual a função de cada membro dentro do seu grupo… Enfim, muitos pesquisadores estudam a vida animal, mas será que alguém estuda a vida dos homens?
Sim, e esta tarefa cabe ao sociólogo! Ele estuda a sociedade, mais precisamente a sociedade humana, ou seja, um grupo de pessoas que vive no mesmo espaço e segue as mesmas regras. De acordo com sua área de interesse, ele pode analisar a sociedade brasileira ou a de outro país, ou ainda diferentes grupos dentro de uma sociedade: índios, mulheres, crianças, e por aí vai. A cada grupo que estuda, destaca como seus membros se relacionam, quais são suas diferenças, seus problemas, em que acreditam, o que consomem e como se organizam. Conhecer os costumes de cada grupo é o primeiro passo para compreender seu modo de vida e a sociedade humana de maneira geral.
Com esse objetivo, o sociólogo também faz trabalhos de campo, ou seja, vai até onde seu objeto de estudo está. “Para entender como a Polícia funciona, por exemplo, o sociólogo pode somente entrevistar alguns de seus membros ou até ingressar na instituição. É a chamada observação participante”, explica Michel Misse, professor de sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Conflito Cidadania e Violência Urbana (NECCVU).
O que não falta é tema para ser analisado pelo sociólogo. Ele estuda instituições como a escola, a família, a Igreja, o governo e até fenômenos sociais como a pobreza e a violência. A intenção é sempre a mesma: entender o comportamento do homem em sociedade e acompanhar sua transformação com o passar do tempo. Assim como os temas de estudo, os locais de trabalho também variam. “O sociólogo pode dar aulas em colégios e universidades, ou ainda ser pesquisador em projetos específicos de empresas privadas, organizações não-governamentais, organismos públicos ou órgãos internacionais. Uma atividade não prende a outra”, explica Michel Misse. Mas depois de entrevistas e pesquisas, como as informações conseguidas pelo sociólogo são utilizadas nesses tais projetos específicos em que ele trabalha?
Para saber, é só prestar atenção em um exemplo prático. Kátia Sento Sé Mello, por exemplo, é professora de sociologia da Faculdade Hélio Alonso (Facha-RJ), pesquisadora do NECCVU e também participa do projeto de criação de um curso para formar a Guarda Municipal de uma cidade. Neste trabalho, ela entrevistou guardas municipais e autoridades da Secretaria de Segurança Pública para saber o que eles esperavam do curso. O trabalho não parou por aí! Após analisar essas informações e fazer muita pesquisa em livros, foram selecionadas as disciplinas mais importantes a serem ensinadas no curso em questão. Viu só? O conhecimento das pessoas envolvidas teve grande utilidade nesse caso.
Quer ver outro exemplo? Imagine que uma empresa pretende lançar um produto qualquer e contrata um sociólogo. O que ele pode fazer? Ora, se o sociólogo conhece os costumes e os gostos da população local, pode, nesse caso, contribuir para que o produto lançado atenda às necessidades da população.
E será que basta gostar de fazer pesquisas, entrevistar pessoas e — pronto! — temos um sociólogo? Nem sempre. Michel Misse conta que para ser um sociólogo é preciso criatividade, gosto pela leitura e curiosidade pelos problemas sociais. O bom profissional também quer contribuir para a melhoria das condições humanas, é contra a injustiça e trabalha bastante. Kátia Mello também dá sua dica: “Quem pretende ser sociólogo deve acreditar que o conhecimento auxilia a transformação das pessoas”.
E foi uma vontade de transformar o mundo que levou Michel e Kátia a fazerem faculdade de Ciências Sociais — curso dividido em Sociologia, Antropologia e Ciência Política, onde a escolha por uma dessas opções se dá no terceiro ano. Mas a vocação não vem da infância, não! Michel queria ser jornalista e Kátia pretendia cursar Letras. Na adolescência, o desejo de entender a sociedade em que viviam foi mais forte e — pimba! — viraram sociólogos. E a vontade de mudar o mundo, ainda existe? “É uma tarefa difícil, mas na sociologia vi que a melhor maneira de transformar o mundo é compreendê-lo e fazer os outros compreenderem também”, confessa Michel. Kátia completa: “Continuo achando que é possível mudar o mundo, mas com esclarecimento”. Está dado o recado! Se você sente o mesmo que eles, quem sabe não vai ser sociólogo quando crescer?!?
Fonte: Ciência Hoje das Crianças 129, outubro 2002, Elisa Martins,Ciência Hoje/RJ
Na colméia, cada abelha tem uma função. A rainha põe os ovos que irão gerar operárias e zangões. As operárias são comandadas pela rainha e constroem os favos do ninho, fazem sua limpeza e alimentam as larvas. Já os zangões vivem apenas o tempo de fecundar a rainha. Mas como sabemos disso tudo? Não foi uma abelha que contou! Essas informações são descobertas por pesquisadores que vivem observando a natureza. Graças à curiosidade deles é possível saber como diversos animais se organizam e se relacionam, o que comem, qual a função de cada membro dentro do seu grupo… Enfim, muitos pesquisadores estudam a vida animal, mas será que alguém estuda a vida dos homens?
Sim, e esta tarefa cabe ao sociólogo! Ele estuda a sociedade, mais precisamente a sociedade humana, ou seja, um grupo de pessoas que vive no mesmo espaço e segue as mesmas regras. De acordo com sua área de interesse, ele pode analisar a sociedade brasileira ou a de outro país, ou ainda diferentes grupos dentro de uma sociedade: índios, mulheres, crianças, e por aí vai. A cada grupo que estuda, destaca como seus membros se relacionam, quais são suas diferenças, seus problemas, em que acreditam, o que consomem e como se organizam. Conhecer os costumes de cada grupo é o primeiro passo para compreender seu modo de vida e a sociedade humana de maneira geral.
Com esse objetivo, o sociólogo também faz trabalhos de campo, ou seja, vai até onde seu objeto de estudo está. “Para entender como a Polícia funciona, por exemplo, o sociólogo pode somente entrevistar alguns de seus membros ou até ingressar na instituição. É a chamada observação participante”, explica Michel Misse, professor de sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Conflito Cidadania e Violência Urbana (NECCVU).
O que não falta é tema para ser analisado pelo sociólogo. Ele estuda instituições como a escola, a família, a Igreja, o governo e até fenômenos sociais como a pobreza e a violência. A intenção é sempre a mesma: entender o comportamento do homem em sociedade e acompanhar sua transformação com o passar do tempo. Assim como os temas de estudo, os locais de trabalho também variam. “O sociólogo pode dar aulas em colégios e universidades, ou ainda ser pesquisador em projetos específicos de empresas privadas, organizações não-governamentais, organismos públicos ou órgãos internacionais. Uma atividade não prende a outra”, explica Michel Misse. Mas depois de entrevistas e pesquisas, como as informações conseguidas pelo sociólogo são utilizadas nesses tais projetos específicos em que ele trabalha?
Para saber, é só prestar atenção em um exemplo prático. Kátia Sento Sé Mello, por exemplo, é professora de sociologia da Faculdade Hélio Alonso (Facha-RJ), pesquisadora do NECCVU e também participa do projeto de criação de um curso para formar a Guarda Municipal de uma cidade. Neste trabalho, ela entrevistou guardas municipais e autoridades da Secretaria de Segurança Pública para saber o que eles esperavam do curso. O trabalho não parou por aí! Após analisar essas informações e fazer muita pesquisa em livros, foram selecionadas as disciplinas mais importantes a serem ensinadas no curso em questão. Viu só? O conhecimento das pessoas envolvidas teve grande utilidade nesse caso.
Quer ver outro exemplo? Imagine que uma empresa pretende lançar um produto qualquer e contrata um sociólogo. O que ele pode fazer? Ora, se o sociólogo conhece os costumes e os gostos da população local, pode, nesse caso, contribuir para que o produto lançado atenda às necessidades da população.
E será que basta gostar de fazer pesquisas, entrevistar pessoas e — pronto! — temos um sociólogo? Nem sempre. Michel Misse conta que para ser um sociólogo é preciso criatividade, gosto pela leitura e curiosidade pelos problemas sociais. O bom profissional também quer contribuir para a melhoria das condições humanas, é contra a injustiça e trabalha bastante. Kátia Mello também dá sua dica: “Quem pretende ser sociólogo deve acreditar que o conhecimento auxilia a transformação das pessoas”.
E foi uma vontade de transformar o mundo que levou Michel e Kátia a fazerem faculdade de Ciências Sociais — curso dividido em Sociologia, Antropologia e Ciência Política, onde a escolha por uma dessas opções se dá no terceiro ano. Mas a vocação não vem da infância, não! Michel queria ser jornalista e Kátia pretendia cursar Letras. Na adolescência, o desejo de entender a sociedade em que viviam foi mais forte e — pimba! — viraram sociólogos. E a vontade de mudar o mundo, ainda existe? “É uma tarefa difícil, mas na sociologia vi que a melhor maneira de transformar o mundo é compreendê-lo e fazer os outros compreenderem também”, confessa Michel. Kátia completa: “Continuo achando que é possível mudar o mundo, mas com esclarecimento”. Está dado o recado! Se você sente o mesmo que eles, quem sabe não vai ser sociólogo quando crescer?!?
Fonte: Ciência Hoje das Crianças 129, outubro 2002, Elisa Martins,Ciência Hoje/RJ
Introdução à Sociologia: cotidiano e interação social
1. Somos “bichos” sociais
Os seres humanos são de “natureza” social, vivem dentro de padrões sociais e são socializados para aprenderem esses padrões. Mas a primeira pergunta que nos cabe é: o que é esta “natureza social” do ser humano? Para respondermos a isso devemos desenvolver o raciocínio seguinte.
a) Os seres humanos possuem um organismo biológico “incompleto”. Isto significa que se não houvesse cultura, se não aprendêssemos com outras pessoas o que precisamos para nos orientar na vida, seríamos uma monstruosidade, um caso psiquiátrico clássico, um caos. Alguns animais já nascem andando e fazendo coisas necessárias a sua sobrevivência, mas o ser humano não, ele precisa aprender. Nascemos com um organismo ainda em formação e sem sabermos falar, andar, nos comportar. Isso aprendemos na vida social. É por isso que podemos até mesmo afirmar que a necessidade da vida social e da cultura para o ser humano possui um fundamento biológico. O ser humano possui uma abertura para o mundo que lhe possibilita ser qualquer coisa que escolher. Mas por ter um organismo incompleto e por ter essa capacidade de aprender, essa plasticidade (sua abertura para o mundo), se não vivesse em grupo e aprendesse com o grupo, os seres humanos sucumbiriam aos desafios da natureza. Essa abertura precisa ser relativamente fechada por meio de padrões de conduta e formas de pensar que ele aprende na vida social. O ser humano é um ser que possui uma enorme plasticidade, isto é, capacidade para se moldar a condições bem diversas de vida.
b) Temos poucos instintos, porém temos instituições sociais. O ser humano possui alguns instintos básicos referentes à sobrevivência, à sexualidade etc. Mas diferentemente de outras espécies animais, seus instintos ajudam muito pouco. Ele não pode depender de uma programação genética que, a rigor, não possui. Devido a essa abertura para o mundo, devido a ter um organismo biológico extremamente generalista, isto é, capaz de adaptações numa escala ampla, devido a não ter muitos instintos, o ser humano supre essa carência com a construção de instituições sociais que regem as mais diversas áreas de sua vida por meio de ritos e normas específicas: o casamento, o Estado, a justiça etc.
c) Desde o nascimento dependemos de outros para sobreviver. É preciso que outros nos alimentem e protejam do perigo. E também que nos dêem afeto e amor, que nos ensinem a ter auto-estima, elementos essenciais para o crescimento. Isso se aplica aos bebês e às crianças pequenas, mas também a toda nossa vida. Estamos sempre aprendendo com o grupo.
d) Aprendemos com outros a sobreviver. Quando nascemos, não sabemos como sobreviver. O instinto não ajuda muito. Nossas ações são aprendidas; emergem da interação com outros: pais, amigos, professores, ídolos da televisão, estranhos, livros etc. Aprendemos a falar, a amar, como e quando lutar, trabalhar e nos divertir. Aprendemos a falar o que pensamos, a nos defender e fazer comida. A vida é aprender a resolver problemas com que nos defrontamos. Esse é um processo contínuo. Assim, temos de aprender também a viver quando nos aposentamos, e até mesmo aprender a morrer.
e) Passamos a vida inteira num grupo social. Todos nós nascemos em uma sociedade, e raramente a deixamos. Vivemos nela a vida toda. Muitos nascem e morrem sem ter tido contato com outro grupo social. Vivemos em uma comunidade organizada. Trabalhamos e nos divertimos em muitos grupos formais e informais. Cada um possui regras que devemos seguir ou códigos de conduta e comunicação; cada um nos socializa. Muitos dão sentidos a nossa vida (pensem no caso de uma pessoa religiosa, onde seu trabalho na igreja é sua vida; ou ainda em pessoas que fazem de seu trabalho e de sua empresa o seu projeto de vida). Não é possível imaginarmos que os grupos dos quais participamos não influem em nosso modo de ser na vida.
f) Muitas de nossas qualidades individuais dependem de interação. Cada um de nós desenvolve idéias, princípios, valores, objetivos, interesses, talentos, emoções e tendências para atuar no mundo que dependem da nossa história de vida. É a interação que direciona essas qualidades individuais. Até para ser um indivíduo precisamos da vida social. Se observarmos outras sociedades, veremos que a idéia de indivíduo não existe para todas. O indivíduo concreto, empírico, de fato existe. Porém, o indivíduo enquanto construção moral e jurídica, enquanto sujeito, não existe para todas as sociedades. Como nós o pensamos, ele é uma construção ocidental moderna. Nossas sociedades permitem diferenciações até ao nível individual. Somos diferentes uns dos outros também por termos uma história diferente, pois ninguém é socializado da mesma forma.
g) Desenvolvemos um Eu e uma dimensão simbólica. Os símbolos e o Eu são qualidades humanas que mudam nossa interação com o meio e com os outros. Em vez de simplesmente reagir a estímulos, de meramente sermos condicionados por outros, nós nos tornamos seres ativos devido a essas qualidades. Seres humanos não são robôs. Os símbolos (que são tudo aquilo que representa outra coisa, como as palavras) são fundamentais para a vida social e humana, pois é por meio deles que nos comunicamos e desenvolvemos nossa capacidade de pensar. O Eu é nossa capacidade de pensarmos sobre nós mesmos e de criarmos uma identidade. Podemos até dizer que o Eu é nossa identidade, aquilo que acreditamos que somos, como nos percebemos. A vida social não seria possível sem essas qualidades. Mais que isto, essas qualidades humanas somente podem ser desenvolvidas pela interação entre os indivíduos, ou seja, na vida social. E são aprendidas e desenvolvidas pela socialização. São essas qualidades que nos permitem resolver problemas, são elas que explicam a diversidade de costumes entre os seres humanos e são elas também que nos permitem ser autônomos. Isto significa que é justamente porque dependemos de outros no início de nossa vida que conquistamos um certo de espaço de autonomia, ainda que limitada pelas normas sociais.
h) Somos atores sociais. Isto significa que, gostando ou não, constantemente ajustamos nossas ações àqueles que nos cercam. Sim, tentamos, às vezes impressionar os outros, nos comunicar com eles, influenciá-los, evitá-los ou, no mínimo, ajustamos nossas ações de modo a poder fazer o que desejamos sem sermos importunados por essas pessoas. Contudo, como vivemos em meio a outros indivíduos, nossas ações são formadas tendo-os em mente. O que quer dizer: agimos orientados pelas expectativas e comportamentos dos outros. A vida social é, em grande medida, um sistema de reciprocidade, de relações que se constituem por expectativas recíprocas, pelas tentativas de manipulação das impressões por meio do desempenho de papéis sociais. Somos atores sociais, temos de levar em consideração as ações dos outros quando atuamos, pois não vivemos no isolamento. O que fazemos, em grande medida, resulta ou é influenciado pelo que fazem as pessoas à nossa volta. Mas dizer que somos atores sociais também é afirmar que somos, em parte, livres e que atuamos e influenciamos uns aos outros. Que somos capazes de escolhas, ainda que essas escolhas sejam sempre limitadas e contextualizadas.
Os seres humanos são de “natureza” social, vivem dentro de padrões sociais e são socializados para aprenderem esses padrões. Mas a primeira pergunta que nos cabe é: o que é esta “natureza social” do ser humano? Para respondermos a isso devemos desenvolver o raciocínio seguinte.
a) Os seres humanos possuem um organismo biológico “incompleto”. Isto significa que se não houvesse cultura, se não aprendêssemos com outras pessoas o que precisamos para nos orientar na vida, seríamos uma monstruosidade, um caso psiquiátrico clássico, um caos. Alguns animais já nascem andando e fazendo coisas necessárias a sua sobrevivência, mas o ser humano não, ele precisa aprender. Nascemos com um organismo ainda em formação e sem sabermos falar, andar, nos comportar. Isso aprendemos na vida social. É por isso que podemos até mesmo afirmar que a necessidade da vida social e da cultura para o ser humano possui um fundamento biológico. O ser humano possui uma abertura para o mundo que lhe possibilita ser qualquer coisa que escolher. Mas por ter um organismo incompleto e por ter essa capacidade de aprender, essa plasticidade (sua abertura para o mundo), se não vivesse em grupo e aprendesse com o grupo, os seres humanos sucumbiriam aos desafios da natureza. Essa abertura precisa ser relativamente fechada por meio de padrões de conduta e formas de pensar que ele aprende na vida social. O ser humano é um ser que possui uma enorme plasticidade, isto é, capacidade para se moldar a condições bem diversas de vida.
b) Temos poucos instintos, porém temos instituições sociais. O ser humano possui alguns instintos básicos referentes à sobrevivência, à sexualidade etc. Mas diferentemente de outras espécies animais, seus instintos ajudam muito pouco. Ele não pode depender de uma programação genética que, a rigor, não possui. Devido a essa abertura para o mundo, devido a ter um organismo biológico extremamente generalista, isto é, capaz de adaptações numa escala ampla, devido a não ter muitos instintos, o ser humano supre essa carência com a construção de instituições sociais que regem as mais diversas áreas de sua vida por meio de ritos e normas específicas: o casamento, o Estado, a justiça etc.
c) Desde o nascimento dependemos de outros para sobreviver. É preciso que outros nos alimentem e protejam do perigo. E também que nos dêem afeto e amor, que nos ensinem a ter auto-estima, elementos essenciais para o crescimento. Isso se aplica aos bebês e às crianças pequenas, mas também a toda nossa vida. Estamos sempre aprendendo com o grupo.
d) Aprendemos com outros a sobreviver. Quando nascemos, não sabemos como sobreviver. O instinto não ajuda muito. Nossas ações são aprendidas; emergem da interação com outros: pais, amigos, professores, ídolos da televisão, estranhos, livros etc. Aprendemos a falar, a amar, como e quando lutar, trabalhar e nos divertir. Aprendemos a falar o que pensamos, a nos defender e fazer comida. A vida é aprender a resolver problemas com que nos defrontamos. Esse é um processo contínuo. Assim, temos de aprender também a viver quando nos aposentamos, e até mesmo aprender a morrer.
e) Passamos a vida inteira num grupo social. Todos nós nascemos em uma sociedade, e raramente a deixamos. Vivemos nela a vida toda. Muitos nascem e morrem sem ter tido contato com outro grupo social. Vivemos em uma comunidade organizada. Trabalhamos e nos divertimos em muitos grupos formais e informais. Cada um possui regras que devemos seguir ou códigos de conduta e comunicação; cada um nos socializa. Muitos dão sentidos a nossa vida (pensem no caso de uma pessoa religiosa, onde seu trabalho na igreja é sua vida; ou ainda em pessoas que fazem de seu trabalho e de sua empresa o seu projeto de vida). Não é possível imaginarmos que os grupos dos quais participamos não influem em nosso modo de ser na vida.
f) Muitas de nossas qualidades individuais dependem de interação. Cada um de nós desenvolve idéias, princípios, valores, objetivos, interesses, talentos, emoções e tendências para atuar no mundo que dependem da nossa história de vida. É a interação que direciona essas qualidades individuais. Até para ser um indivíduo precisamos da vida social. Se observarmos outras sociedades, veremos que a idéia de indivíduo não existe para todas. O indivíduo concreto, empírico, de fato existe. Porém, o indivíduo enquanto construção moral e jurídica, enquanto sujeito, não existe para todas as sociedades. Como nós o pensamos, ele é uma construção ocidental moderna. Nossas sociedades permitem diferenciações até ao nível individual. Somos diferentes uns dos outros também por termos uma história diferente, pois ninguém é socializado da mesma forma.
g) Desenvolvemos um Eu e uma dimensão simbólica. Os símbolos e o Eu são qualidades humanas que mudam nossa interação com o meio e com os outros. Em vez de simplesmente reagir a estímulos, de meramente sermos condicionados por outros, nós nos tornamos seres ativos devido a essas qualidades. Seres humanos não são robôs. Os símbolos (que são tudo aquilo que representa outra coisa, como as palavras) são fundamentais para a vida social e humana, pois é por meio deles que nos comunicamos e desenvolvemos nossa capacidade de pensar. O Eu é nossa capacidade de pensarmos sobre nós mesmos e de criarmos uma identidade. Podemos até dizer que o Eu é nossa identidade, aquilo que acreditamos que somos, como nos percebemos. A vida social não seria possível sem essas qualidades. Mais que isto, essas qualidades humanas somente podem ser desenvolvidas pela interação entre os indivíduos, ou seja, na vida social. E são aprendidas e desenvolvidas pela socialização. São essas qualidades que nos permitem resolver problemas, são elas que explicam a diversidade de costumes entre os seres humanos e são elas também que nos permitem ser autônomos. Isto significa que é justamente porque dependemos de outros no início de nossa vida que conquistamos um certo de espaço de autonomia, ainda que limitada pelas normas sociais.
h) Somos atores sociais. Isto significa que, gostando ou não, constantemente ajustamos nossas ações àqueles que nos cercam. Sim, tentamos, às vezes impressionar os outros, nos comunicar com eles, influenciá-los, evitá-los ou, no mínimo, ajustamos nossas ações de modo a poder fazer o que desejamos sem sermos importunados por essas pessoas. Contudo, como vivemos em meio a outros indivíduos, nossas ações são formadas tendo-os em mente. O que quer dizer: agimos orientados pelas expectativas e comportamentos dos outros. A vida social é, em grande medida, um sistema de reciprocidade, de relações que se constituem por expectativas recíprocas, pelas tentativas de manipulação das impressões por meio do desempenho de papéis sociais. Somos atores sociais, temos de levar em consideração as ações dos outros quando atuamos, pois não vivemos no isolamento. O que fazemos, em grande medida, resulta ou é influenciado pelo que fazem as pessoas à nossa volta. Mas dizer que somos atores sociais também é afirmar que somos, em parte, livres e que atuamos e influenciamos uns aos outros. Que somos capazes de escolhas, ainda que essas escolhas sejam sempre limitadas e contextualizadas.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Corleones do Brasil
Eles não vestem capotes escuros, mas ternos brancos, camisas floridas abertas e correntes de ouro no peito. Aprenderam a se organizar tendo contato com mafiosos do sul da Itália. Dos Corleones, um dos mais temidos clãs da máfia siciliana, conseguiram as primeiras máquinas caça-níqueis que vieram ao Brasil. Antes bicheiros da periferia, se tornaram mafiosos donos de bingos que dão lucros milionários. Compram juízes, o apoio de políticos e a amizade de celebridades. Como a polícia federal mostrou em abril, durante a operação hurricane, eles têm poder suficiente para serem chamados de Corleones do Brasil.
Matéria completa: http://super.abril.com.br/revista/240/materia_revista_235237.shtml?pagina=1
Matéria completa: http://super.abril.com.br/revista/240/materia_revista_235237.shtml?pagina=1
Os 10 Mandamentos da Máfia Siciliana
Com a prisão de Salvatore Lo Piccolo, encontraram um documento que descreve o que seriam os 10 mandamentos da máfia italiana - nomeados como "Direitos e Deveres". Segundo o site da BBC, "as regras buscam preservar a segurança da Cosa Nostra, mas também nortear o comportamento de seus integrantes, impondo fidelidade e obediência, além de sobriedade e moderação".
1 - Não pode se apresentar sozinho a um amigo nosso, senão um terceiro irá fazer isso. (Ou seja - nenhum membro da Cosa Nostra pode ir sozinho a um encontro)
2 - Não se deve olhar para as mulheres dos nossos amigos.
3 - Não deve se meter em confronto com os policiais.
4 - Não se deve frequëntar bares ou clubes.
5 - Deve estar disponível a qualquer momento à Cosa Nostra. Até mesmo se a mulher está por dar à luz.
6 - Os compromissos devem ser respeitados.
7 - Deve-se respeitar a esposa.
8 - Quando for chamado para esclarecer qualquer coisa, deverá dizer a verdade.
9 - Não pode se apropriar de dinheiro que pertence a outros ou a outras famílias.
10 - Não pode fazer parte da Cosa Nostra quem tem um parente nas diversas forças de ordem italianas, quem já traiu sentimentalmente dentro da família (mafiosa) e quem tem um péssimo comportamento e não respeita os valores.
1 - Não pode se apresentar sozinho a um amigo nosso, senão um terceiro irá fazer isso. (Ou seja - nenhum membro da Cosa Nostra pode ir sozinho a um encontro)
2 - Não se deve olhar para as mulheres dos nossos amigos.
3 - Não deve se meter em confronto com os policiais.
4 - Não se deve frequëntar bares ou clubes.
5 - Deve estar disponível a qualquer momento à Cosa Nostra. Até mesmo se a mulher está por dar à luz.
6 - Os compromissos devem ser respeitados.
7 - Deve-se respeitar a esposa.
8 - Quando for chamado para esclarecer qualquer coisa, deverá dizer a verdade.
9 - Não pode se apropriar de dinheiro que pertence a outros ou a outras famílias.
10 - Não pode fazer parte da Cosa Nostra quem tem um parente nas diversas forças de ordem italianas, quem já traiu sentimentalmente dentro da família (mafiosa) e quem tem um péssimo comportamento e não respeita os valores.
A Máfia Siciliana no Mundo
Segundo informações obtidas junto à Direção Investigativa Antimáfia, nos livros "Diciotto Anni di Mafia", de Saverio Lodato, "Mafie e antimafia", de Luciano Violante, e "Processo alla'Ndrangheta", de Enzo Ciconte e com a leitura de um artigo do jornal Folha de São Paulo, de 24.03.97, a Máfía italiana, atualmente, apresenta a seguinte estrutura:
As fontes de renda desta societas sceleris são: o tráfico de droga, de armas, o jogo, seqüestro, extorsão de pessoas e empresas, fraudes em serviços e obras públicas, lavagem de dinheiro, etc.
A máfía adota, como estrutura celular, clãs e famílias. Grupos ligados à vínculos sentimentais, que procuram imitar os laços familiares, usando os nomes consagrados na literatura, como "padrinho", etc. Os membros da Máfia são conhecidos como uomini d'onore, homens de honra; na verdade, não passam de assassinos e traficantes frios. Os capo são os chefões dos principais clãs, o membro mais poderoso da família ou da cidade.
O clãs recebem os nomes de famílias (por exemplo, Morabito, Mazzaferro, Pesce, por exemplo). Na Sicília, é comum o clã ser associado à cidade de origem: os corleoneses, os palermitanos etc. Cada grupo da máfía tem um território. A Cosa Nostra, da Sicília, tem amplas ligações com a máfia americana. Os demais ramos somente agem nos EUA com aprovação da Cosa Nostra. A 'Ndrangheta tem certa especialidade no tráfico de cocaína e heroína para a maior parte da Europa Ocidental.
No caso deste processo, trata-se de uma família da Cosa Nostra, ligada aos corleoneses.
1. Cosa Nostra, da Sicília, Palermo, com 5.400 membros;
2. 'Ndrangheta, da Calábria, Reggio Calábria, com 5.600 membros;
3. Camorra, da Campânia, Nápoles, com 7.200 associados; e
4. Sacra Corona Unita, de Puglia, Bari, com 2.000 mafiosos;
A máfía adota, como estrutura celular, clãs e famílias. Grupos ligados à vínculos sentimentais, que procuram imitar os laços familiares, usando os nomes consagrados na literatura, como "padrinho", etc. Os membros da Máfia são conhecidos como uomini d'onore, homens de honra; na verdade, não passam de assassinos e traficantes frios. Os capo são os chefões dos principais clãs, o membro mais poderoso da família ou da cidade.
O clãs recebem os nomes de famílias (por exemplo, Morabito, Mazzaferro, Pesce, por exemplo). Na Sicília, é comum o clã ser associado à cidade de origem: os corleoneses, os palermitanos etc. Cada grupo da máfía tem um território. A Cosa Nostra, da Sicília, tem amplas ligações com a máfia americana. Os demais ramos somente agem nos EUA com aprovação da Cosa Nostra. A 'Ndrangheta tem certa especialidade no tráfico de cocaína e heroína para a maior parte da Europa Ocidental.
No caso deste processo, trata-se de uma família da Cosa Nostra, ligada aos corleoneses.
O Poder da Máfia
A Máfia é uma organização criminosa cujas atividades estão submetidas a uma direção colegial oculta e que repousa numa estratégia de infiltração da sociedade civil e das instituições. Pode-se também falar de sistema mafioso. Os membros são chamados mafiosi (no singular: mafioso).
O termo máfia é frequentemente utilizado para designar toda e qualquer organização criminosa.
Origens
Na Itália existem diversas máfias, sendo mais conhecida a "Cosa Nostra" (em português "nosso assunto" ou "nossa coisa"), de origem siciliana. A Camorra, napolitana, e a 'Ndrangheta,da Calábria são outras conhecidas associações mafiosas.
A Máfia surgiu no sul da Itália na época medieval. Seus membros eram lavradores arrendatários de terras pertencentes a poderosos senhores feudais. Mas eles pretendiam dividir essas terras e, para isso, começaram a depredar o gado e as plantações. Quem quisesse evitar esse vandalismo deveria fazer um acordo com a máfia. Da Itália, a indústria da "proteção forçada" se espalhou para o mundo inteiro, em especial para os Estados Unidos. O filme O Poderoso Chefão (The Godfather) conta a história do crescimento da máfia nos EUA.
A palavra "mafia" foi tirada do adjetivo siciliano mafiusu, que tem suas raízes no árabe mahyas, que significa "alarde agressivo, jactância" ou marfud, que significa "rejeitado". Traduzido livremente, significa bravo. Referindo-se a um homem, mafiusu, no século XIX, significava alguém ambíguo, arrogante, mas destemido; empreendedor; orgulhoso, de acordo com o acadêmico Diego Gambetta.
De acordo com o etnógrafo siciliano Giuseppe Pitrè, a associação da palavra com a sociedade criminosa foi feita em 1863 com a peça I mafiusi di la Vicaria (O Belo Povo da Vicaria) de Giuseppe Rizzotto e Gaetano Mosca, que trata de gangues criminosas na prisão de Palermo. As palavras Máfia e mafiusi (plural de mafiusu) não são mencionadas na peça e foram, provavelmente, inseridas no título para despertar a atenção local.
A associação entre mafiusi e gangues criminosas foi feita através da associação que o título da peça fez com as gangues criminosas, que eram novidade nas sociedades siciliana e italiana àquela época. Consequentemente, a palavra "máfia" foi criada por uma fonte de ficção vagamente inspirada pela realidade e foi utilizada por forasteiros para descrevê-la. O uso do termo "máfia" foi posteriormente apropriado pelos relatórios do governo italiano a respeito do fenômeno. A palavra "mafia" apareceu oficialmente pela primeira vez em 1865 num relatório do prefeito de Palermo, Filippo Antonio Gualterio.
Leopoldo Franchetti, um deputado italiano que viajou à Sicília e que escreveu um dos primeiros relatórios oficiais sobre a máfia em 1876, descreveu a designação do termo "Mafia": "o termo máfia encontrou uma classe de criminosos violentos pronta e esperando um nome para defini-la e, dado ao caráter e importância especial na sociedade siciliana, eles tinham o direito a um nome diferente do utilizado para definir criminosos comuns em outros países."
Principais famílias da Itália
Turin
A família Turin teve uma grande parte de seus homens mortos após pequena guerra contra os Stracci, teve seu reinado no comércio de drogas e armas no período de 1973 a 1975 teve seu fim decretado em 1992 devido a má fase a crise e a ameaças da família Stracci.
Cordopatri
A família ==Cordopatri== foi quem espalhou a máfia para os EUA era conhecida pela alta venda de armas sempre favorecendo as fámilias maiores, em 1986 venderam um alto valor de armas a família Stracci, os Stracci não pagaram então os Cordopatri mandaram homens para matá-los mas não deu certo e acabaram mortos, e os poucos que viveram resolveram encerrar com o comércio.
Cosa Nostra
A maior família mafiosa italiana que era conhecida por dar fim nas outras famílias também pelo seu temperamento frio. Foram responsáveis pela exterminação de famílias consagradas como Cordopatri, Fellicci, Mammoliti e outras. Em meados de 1980 Don Vito matou seu próprio irmão por causa de disputa do cargo. Don Vito acabou sendo morto em 1983 com 6 tiros por um capanga da Família Mammoliti do qual o nome não identificado. o Don de Ni Carlos foi o mais poderoso chefe da família Cosa Nostra responsavel pela guerra entre as Fámilias Bellucci, Corleone, Turin, Brelloti e Cosa Nostra em 1955 do qual os Cosa Nostra venceram.
Outras Famílias pequenas da máfia italiana[período](morta por)
Bellucci[1982-1985](Cosa Nostra) , Corleone[1992-1995](Stracci) , Fellicci[1930-1955](Cosa Nostra) , Bukovski[1956-1989](Cosa Nostra) , Buscetta[1958-? (?) , Luciano[1950-1993](?) , Andreotti[1980-1991](Stracci) , Franchetti[1938-1967](Turin) ,Stracci[1950-1955(?). (As Famílias Camorra, Ndrangheta, Lucci, Barriolli, Fitri, Berluccini, Gritti, Siccili, Tulicci, Lopartti,Massola, Tattaglia, Fugalli, Monni, Broloni não se sabe origem e nem fim.)
A Máfia pelo mundo
- Cosa Nostra Americana - EUA
- Yakuza - Japão
- Organizatsya - Rússia
- Tríade - China
- Cielo Blu - Portugal
- Yuzo - Brasil
- Máfia Corsa - Córsega - França
- Máfia Israelense - Israel
- Máfia de Marselha - Sul da França
- Máfia da Turquia - Turquia
- Máfia do Marrocos - Marrocos
- Máfia dos exilados cubanos - Miami(EUA) e Panamá
- Máfia do México - México e Costa Oeste dos EUA
- Máfia da Espanha - Espanha
- Máfia da Albânia - Albânia
- Máfia da Sérvia - Sérvia e Montenegro
- MafiA'S - Portugal
Filmes e séries sobre a Máfia
- Bonanno
- Brother
- Bugsy (filme)
- Cassino
- Desafio no Bronx
- Donnie Brasco
- Estrada para a perdição
- Gotti - No Comando da Máfia
- Hana-bi - Fogos de Artifícios
- Honor Thy Father - ("Os Honrados Mafiosos")
- Império do Crime
- Jane Austen's Mafia! (1998)
- Lansky
- Máfia no Divã
- Mickey Olhos Azuis
- O Nome do Jogo
- The Valachi Papers - ("O Segredo da Cosa Nostra")
- Os Bons Companheiros
- Os Infiltrados
- Os Intocáveis
- Pulp Fiction: Tempo de Violência
- Quando as metralhadoras cospem
- Quase Dois Irmãos
- Scarface
- Senhores do Crime
- Snatch: Porcos e Diamantes
- Katekyou Hitman Reborn
- The Godfather ("O Poderoso Chefão" no Brasil)
- The Sopranos - Série de TV
- Wiseguy - Série de TV
- Gomorra
- Era Uma Vez na América (filme)
- a herdeira da máfia
- Blue Tiger - Desafiando A Yakuza
Livros sobre a Máfia
Ficção
- Uma brasileira contra a Máfia
- A cozinha da Máfia
- Honra ou Vendetta
- O Chefão, de Mario Puzo
- Adeus à Máfia, de Pino Arlacchi
- Donnie Brasco, de Joseph D. Pistone
- The last testament of Lucky Luciano, de Martin A. Gosch e Richard Hammer ("O testamento do Chefão", no Brasil)
- Wiseguy, de Nicholas Pileggi ("Os bons companheiros", no Brasil)
- Omertà, de Mario Puzo
- The Last Don, de Mario Puzo
- Gomorra - Roberto Saviano
quarta-feira, 2 de junho de 2010
"Todo ato social é um exercício de poder, toda relação social é uma equação de poder e todo grupo ou sistema social é uma organização de poder."
Amos Hawley
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